"Era uma vez, dois pássaros, irmãos.
Um deles, saiu do ninho muito novinho e se perdeu. O outro, foi encontrado por uma família que lhe deu abrigo.
Este segundo, vivia preso numa gaiola, mas conhecia toda a casa, de passear, de dentro da gaiola, pelos cômodos, quando o seu cantinho tinha que ser limpo ou quando chovia.
Ele era feliz. Não lhe faltava comida, nem água. Sua gaiola era limpa frequentemente, exceto quando seus donos viajavam.
Ele só precisava cantar duas vezes por dia, uma pela manhã e outra quando seus donos voltavam. Com isso, ele os deixava satisfeitos, e garantia a sua colocação como membro da família. Tudo muito tranquilo.
Com o tempo, o passarinho engaiolado cresceu e passou a querer mais comida. Comia o pote todo, mas sua cota de ração não aumentava. Não adiantava cantar o dia inteiro, pois não havia ninguém na casa para ouvir e retribuir o agrado. De manhã, o tempo era curto. De noite, não podia exagerar no barulho.
Depois de conhecer toda a casa, passou a ficar curioso pra saber o que tinha do outro lado do muro, mas nunca pode saber. Da gaiola, ele saía muito pouco, sempre pelas mãos de seus donos.
Mesmo desejoso de dar um passeio, ele não tinha o direito de reclamar, pois sua comida e sua água estavam lá.
Passado mais tempo, ele enjoou da comida, mas não tinha como escolher. Ou era aquilo, ou era aquilo.
Alguns pássaros lhe visitavam, galgando restos de sua comida que caíam no chão, buscando abrigo de tempestades, bebendo a água da casa. Estes pássaros sempre tinham histórias legais ou tragédias pra contar.
E o engaiolado?
Bem, ele sempre podia elogiar seus donos, que lhe davam comida, água e limpavam seu espaço.
Pensou, por vezes, em escapar e tentar alguma aventura, mas era velho demais para aprender novas artimanhas. Sem a força da juventude, sem experiências anteriores e com a habitual acomodação, não teria muitas possibilidades.
O que ele fez?
Acordou no dia seguinte, cantou, comeu, bebeu, dormiu, esperou, esperou, esperou, cantou, comeu, bebeu e dormiu.
E desta maneira, viveu a sua vida.
Cantou pouco, se alimentou o suficiente e viveu com segurança.
O outro passarinho da história, perdido e sem rumo definido, seguiu em frente.
Viu muita coisa que não esperava encontrar, várias possibilidades cruzaram seu caminho. Foi para um lado, foi para o outro, e tocou a sua vida.
Alias, ele tinha que tocar a sua vida!
Sozinho, sem um conforto externo, tinha que buscar a sua comida e a sua água.
Nem sempre conseguiu. Vários dias ele dormiu sem estar satisfeito.
E por isso mesmo é que ele dormia desejoso de acordar no dia seguinte, fazer um dia melhor e ir dormir mais contente.
Penou. Deu de cara em várias árvores, encontrou vários obstáculos, mas com o tempo, as coisas melhoravam.
A melhora, o animava. O ânimo, lhe dava forças para novos desafios. Os desafios vencidos lhe davam forças nos momentos ruins, pois eram capazes de demonstrar a ele que aquilo não era algo que aconteceria sempre. Infortúrnio apareceram. Por vezes, comeu menos e pior do que queria, mas era livre!
Ele não queria só cantar; aprendeu a voar com ousadia, a caminhar e até a mergulhar.
Livre; livre para errar, aprender e melhorar.
Com o tempo, foi se aperfeiçoando e começou até a estocar comida.
Sua racionalidade era importante, porque mesmo diante de sua maior capacidade adquirida, às vezes faltava comida. Só que, outras vezes, encontrava muita comida. De todos os tipos e paladares.
E ao longo de sua vida, cruzou com muitos colegas, alguns seguiam a mesma luta, com menos ou mais afinco, outros queriam a comodidade da gaiola. Mas ele não. Ele não se entregaria à gaiola enquanto não tivesse certeza de que empregou esforços o suficiente.
Não que ele não vá cansar, não que ele não tenha sido seduzido a isso.
Só que sua ambição e determinação não o deixavam abandonar sua tentativa pelo caminho mais arriscado.
Risco sim, mas outros fatores se apresentaram.
Ele escolhia seu caminho, seus horários e os pássaros com quem iria se relacionar. Era capaz de interferir no seu futuro. Estava acostumado a isso. E assim fazia, sempre que desejasse algo novo, diferente.
Dia desses, em meio a uma tempestade, chegou à casa do seu irmão, sem saber quem ele era.
Conversaram pouco. Encabulado com o fato de pedir ajuda a um estranho, o pássaro livre evitou contar suas histórias curiosas, para não 'agredir' o hospedeiro.
O abrigado via nos olhos do irmão engaiolado, que, apesar de naquele momento ele estar precisando de tudo o que o parente tinha, o custodiado desejava trocar de lugar consigo. Era a sua natureza saltando pelo olhar.
Refletiu, então, que, apesar de um breve momento ruim, ele era capaz de ter muito mais comida, ter abrigos melhores e de conhecer o lugar que ele quisesse, de cantar quando quisesse, de fazer o que quisesse.
Dizer que o céu era o limite, é uma metáfora ruim para passáros.
Prefere-se afirmar que a sua determinação era o seu limite.
E assim ele viveu a sua vida.
Alguns dias não foram legais, precisou de ajuda, mas conheceu o mundo, comeu muito, do bom e do melhor, retribui a assistência que ganhou, fez o que quis, foi livre.
Livre para sofrer, livre para ganhar."
por Michel Fazanaro
Moral da história? Não sei, só sei que esta me surgiu à mente há um ano, quando decidi que vou seguir pelo rumo da advocacia.
Deixo os concursos para os admiráveis colegas que estudam horas e horas um tema escolhido por terceiros.
Prefiro olhar a prateleira e escolher o livro que eu quero naquele momento.
Quero fazer da minha determinação meu único limite.
É certo que enfrentarei vários dias de chuva, mas quando fizer sol, poderei escolher a praia onde quero estar.
Um deles, saiu do ninho muito novinho e se perdeu. O outro, foi encontrado por uma família que lhe deu abrigo.
Este segundo, vivia preso numa gaiola, mas conhecia toda a casa, de passear, de dentro da gaiola, pelos cômodos, quando o seu cantinho tinha que ser limpo ou quando chovia.
Ele era feliz. Não lhe faltava comida, nem água. Sua gaiola era limpa frequentemente, exceto quando seus donos viajavam.
Ele só precisava cantar duas vezes por dia, uma pela manhã e outra quando seus donos voltavam. Com isso, ele os deixava satisfeitos, e garantia a sua colocação como membro da família. Tudo muito tranquilo.
Com o tempo, o passarinho engaiolado cresceu e passou a querer mais comida. Comia o pote todo, mas sua cota de ração não aumentava. Não adiantava cantar o dia inteiro, pois não havia ninguém na casa para ouvir e retribuir o agrado. De manhã, o tempo era curto. De noite, não podia exagerar no barulho.
Depois de conhecer toda a casa, passou a ficar curioso pra saber o que tinha do outro lado do muro, mas nunca pode saber. Da gaiola, ele saía muito pouco, sempre pelas mãos de seus donos.
Mesmo desejoso de dar um passeio, ele não tinha o direito de reclamar, pois sua comida e sua água estavam lá.
Passado mais tempo, ele enjoou da comida, mas não tinha como escolher. Ou era aquilo, ou era aquilo.
Alguns pássaros lhe visitavam, galgando restos de sua comida que caíam no chão, buscando abrigo de tempestades, bebendo a água da casa. Estes pássaros sempre tinham histórias legais ou tragédias pra contar.
E o engaiolado?
Bem, ele sempre podia elogiar seus donos, que lhe davam comida, água e limpavam seu espaço.
Pensou, por vezes, em escapar e tentar alguma aventura, mas era velho demais para aprender novas artimanhas. Sem a força da juventude, sem experiências anteriores e com a habitual acomodação, não teria muitas possibilidades.
O que ele fez?
Acordou no dia seguinte, cantou, comeu, bebeu, dormiu, esperou, esperou, esperou, cantou, comeu, bebeu e dormiu.
E desta maneira, viveu a sua vida.
Cantou pouco, se alimentou o suficiente e viveu com segurança.
O outro passarinho da história, perdido e sem rumo definido, seguiu em frente.
Viu muita coisa que não esperava encontrar, várias possibilidades cruzaram seu caminho. Foi para um lado, foi para o outro, e tocou a sua vida.
Alias, ele tinha que tocar a sua vida!
Sozinho, sem um conforto externo, tinha que buscar a sua comida e a sua água.
Nem sempre conseguiu. Vários dias ele dormiu sem estar satisfeito.
E por isso mesmo é que ele dormia desejoso de acordar no dia seguinte, fazer um dia melhor e ir dormir mais contente.
Penou. Deu de cara em várias árvores, encontrou vários obstáculos, mas com o tempo, as coisas melhoravam.
A melhora, o animava. O ânimo, lhe dava forças para novos desafios. Os desafios vencidos lhe davam forças nos momentos ruins, pois eram capazes de demonstrar a ele que aquilo não era algo que aconteceria sempre. Infortúrnio apareceram. Por vezes, comeu menos e pior do que queria, mas era livre!
Ele não queria só cantar; aprendeu a voar com ousadia, a caminhar e até a mergulhar.
Livre; livre para errar, aprender e melhorar.
Com o tempo, foi se aperfeiçoando e começou até a estocar comida.
Sua racionalidade era importante, porque mesmo diante de sua maior capacidade adquirida, às vezes faltava comida. Só que, outras vezes, encontrava muita comida. De todos os tipos e paladares.
E ao longo de sua vida, cruzou com muitos colegas, alguns seguiam a mesma luta, com menos ou mais afinco, outros queriam a comodidade da gaiola. Mas ele não. Ele não se entregaria à gaiola enquanto não tivesse certeza de que empregou esforços o suficiente.
Não que ele não vá cansar, não que ele não tenha sido seduzido a isso.
Só que sua ambição e determinação não o deixavam abandonar sua tentativa pelo caminho mais arriscado.
Risco sim, mas outros fatores se apresentaram.
Ele escolhia seu caminho, seus horários e os pássaros com quem iria se relacionar. Era capaz de interferir no seu futuro. Estava acostumado a isso. E assim fazia, sempre que desejasse algo novo, diferente.
Dia desses, em meio a uma tempestade, chegou à casa do seu irmão, sem saber quem ele era.
Conversaram pouco. Encabulado com o fato de pedir ajuda a um estranho, o pássaro livre evitou contar suas histórias curiosas, para não 'agredir' o hospedeiro.
O abrigado via nos olhos do irmão engaiolado, que, apesar de naquele momento ele estar precisando de tudo o que o parente tinha, o custodiado desejava trocar de lugar consigo. Era a sua natureza saltando pelo olhar.
Refletiu, então, que, apesar de um breve momento ruim, ele era capaz de ter muito mais comida, ter abrigos melhores e de conhecer o lugar que ele quisesse, de cantar quando quisesse, de fazer o que quisesse.
Dizer que o céu era o limite, é uma metáfora ruim para passáros.
Prefere-se afirmar que a sua determinação era o seu limite.
E assim ele viveu a sua vida.
Alguns dias não foram legais, precisou de ajuda, mas conheceu o mundo, comeu muito, do bom e do melhor, retribui a assistência que ganhou, fez o que quis, foi livre.
Livre para sofrer, livre para ganhar."
por Michel Fazanaro
Moral da história? Não sei, só sei que esta me surgiu à mente há um ano, quando decidi que vou seguir pelo rumo da advocacia.
Deixo os concursos para os admiráveis colegas que estudam horas e horas um tema escolhido por terceiros.
Prefiro olhar a prateleira e escolher o livro que eu quero naquele momento.
Quero fazer da minha determinação meu único limite.
É certo que enfrentarei vários dias de chuva, mas quando fizer sol, poderei escolher a praia onde quero estar.
3 comentários:
Foi vc quem escreveu a narrativa toda????
adorei
Foi sim. :D
Alguem me disse que iria escrever e postar mais vezes....hummmmmmmm
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