Vi o filme Antes de Partir e gostei.
Se algum perdido leitor que cá esteja a passar não viu o filme, recomendo vê-lo, mas não ler este post, pra não 'contar' o final da história.
Aproveitando o fato de ter visto em casa, separei alguns trechos de momentos do filme:
"É difícil determinar o que resume a vida de uma pessoa. Uns dizem que são as amizades que deixou. Outros dizem que é a fé que teve. Outros, o quanto amou. Outros dizem que a vida não tem sentido algum. Quanto a mim, eu acho que é a quantidade de pessoas que seguem o nosso exemplo."
"JN -É fácil ser profundo quando a gente é jovem. O que disse o Dr. Hollins? Temos alguns meses, certo? Um ano, talvez. Não disse que 45 anos passaram rápido? Podemos aproveitar. Temos que aproveitar.
MF -Não, não dá.
(...)
JN -Você é quem reclama de que nunca teve chance. Aí está sua chance.
MF -Minha chance de quê? Bancar o idiota?
JN -Nunca é tarde. O que nos resta fazer agora? Eu não vou voltar ao trabalho para ficar ouvindo gente falar de movimentação financeira e dívida subordinada e fingir que isso interessa a um moribundo. Você não vai querer ir para casa para esperar a morte chegar com uma monte de pessoas à sua volta vendo você morrer enquanto você tenta consolá-las. É isso que você quer, morrer sufocado de pena e sofrimento? Pois eu não. E no fundo, Carter, acho que você também não. Estamos no mesmo barco. Gostou da metáfora? Temos uma excelente oportunidade agora.
MF -"Oportunidade"? Só em uma cabeça oca como a sua.
JN -Ainda nos sentimos bem, certo? Nossa energia está voltando aos poucos. Assintomáticos, como diz o médico. Temos duas opções: podemos ficar aqui esperando um milagre em alguma experiência científica fajuta ou podemos ir à luta."
"MF -Por que acha que vim com você?
JN -Porque convenci você.
MF -Edward, você é bom, mas nem tanto assim. Não. Depois que Rachel foi para a faculdade, ficou um vazio. Acabaram as tarefas de casa, o campeonato infantil de beisebol os recitais, as peças na escola crianças chorando, brigas, joelhos ralados. E, pela primeira vez em 40 anos, olhei para Virginia sem todo aquele barulho, toda aquela agitação e não consegui me lembrar do que sentia quando não podia andar pela rua sem segurar a mão dela. Ela era a mesma mulher por quem eu me apaixonara. Não havia mudado. Mas, de algum modo, tudo estava diferente. Algo ficou pelo caminho. Sabe?"
"Prezado Edward,
passei estes últimos dias na dúvida tentando decidir se eu deveria escrever isto ou não. No fim, percebi que me arrependeria se não escrevesse portanto, aqui vai. Sei que a última vez que nos vimos não estávamos nos entendendo bem. Não era assim que eu queria que a viagem terminasse. Acho que a culpa foi minha e peço desculpas. Mas, honestamente, se eu pudesse, faria outra vez. Virgínia disse que eu era um estranho e voltei um marido. Devo isso a você. Não há como retribuir tudo que fez por mim. Portanto, em vez disso, vou pedir que faça mais uma coisa. Encontre a alegria da sua vida. Você disse que não era todo mundo. Bem, isso é verdade. Você não é todo mundo... mas todo mundo é todo mundo. Meu pastor sempre diz: "Nossas vidas são córregos que correm para o mesmo rio de encontro ao paraíso que existe na névoa além da cachoeira. " Encontre a alegria de sua vida, Edward.
Meu querido amigo, feche os olhos e deixe que as águas o levem para casa."
O tempo passa, e muitas vezes, nos esquecemos de viver.
Um dia antes de ver o filme eu ouvi de uma amiga que eu deveria errar mais.
É incoerente esse tipo de coisa, mas eu preciso concordar com ela.
Se assim não for, olharei pra trás e verei que 45 anos passaram rapidamente.
26 anos já se foram. Não sei quantos mais virão, mas sei que tenho muitas coisas pra fazer, antes de partir.
É hora, então, de pô-las em prática.
Assinar:
Postar comentários (Atom)
3 comentários:
Que bom que vc concorda
te muitas outras coisas que tenho vontade de te dizer, mas não sei como vc iria reagir...
pois eh...26 anos já se passaram
Hoje eu recebi um e-mail com um texto escrito por um médico para um jornal de SP. Transcrevo parte que mais me chamou atenção, pois muitas vezes esquecemos de viver e apenas sobrevivemos. Acreditamos que isso é felicidade, a felicidade que "podemos" ter. Aceitamos sempre ter que buscar o ótimo, o perfeito, quando o bom não apenas bastaria, mas nos libertaria para uma vida menos tensa, mais leve e principalmente mais intensa.
Concordo que devíamos "errar mais" para poder viver mais intensamente. Claro que isso não significa ser irresponsável ou inconsequente.
Como diz o trecho abaixo: nos entregar mais aos entretantos. Afinal tudo é finito, transitório. Inclusive a própria vida.
"(...)Durante séculos, a civilização soube acomodar a morte entre os vivos, porque uma vida feliz implicava, como Montaigne dizia, a aprender a morrer: aprender que a finitude da vida revaloriza a própria vida. Porque só a consciência plena do fim nos permite uma entrega total aos entretantos. (...)" (João Coutinho - médico intensivista)
Bom te ver em "reflexões públicas". E ainda temos 34 dias no ano de 2008.
Vamos vive-los intensamente!!!
Grande abraço,
Maria Raquel
Postar um comentário